quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Farejando Auroras


Por Elaine Tavares - jornalista

E então já está por aí o natal. É o que me diz a televisão em promoções a granel. Já, para mim, essa não é uma data de presentes e compras compulsivas. É o aniversário de um dos meus deusinhos: Yeshua, Jesus. Digo deusinho porque não arrogo a ele poderes sobrenaturais. O vejo assim, homem, cheio de dúvidas sobre seu destino, a clamar pelo pai na cruz. O vejo menino, a questionar as leis juntos aos velhos encarquilhados em certezas ultrapassadas e aprisionantes. O vejo jovem, a arrancar os outros de seu conforto, propondo a ilegalidade e a rebeldia. Gosto demais desse Jesus arrogante, a expulsar vendilhões do templo, denunciando-os e apontando-lhes o dedo. Encanto-me com o Jesus que se coloca diante do poder e, arriscando morrer, levanta a cara e diz ao ser acusado de ser deus: “assim o dissestes”. E se entrega ao juízo do povo, mesmo sabendo que esse mesmo povo que ele tanto amou, o vai abandonar, preferindo Barrabás. É esse guri que eu espero nas noites de natal. Aguardo, cheia de esperança, que ele renasça nos jovens que vejo andar por aí a fazer a luta, a questionar as leis, a apontar os vendilhões, a demolir as certezas de um sistema que mata e exclui.

Sei também que a data do natal está conectada a tempos ancestrais, celebrados desde as eras imemoriais por todas as culturas da terra. O solstício de verão, o começo de uma nova estação cheia de beleza e luz. Sei que era nesse dezembro que as gentes de outros tempos dançavam sob o fogo, cantavam e esperavam que a vida revivesse e a roda do mundo seguisse seu curso no rumo do bem-virá. Por isso, gosto também de me perder nessa esperança do povo andino, o Qhapac Rayme, e oferecer alimento a mãe-terra, Pachamama, confiando em suas bênçãos e na vida que brota. É alimento, e faz com que eu veja que as coisas sempre nascem, do nada, da dor, da desesperança, da desilusão. Há sempre um reviver. Isso é o natal, essa data mágica de todas as fés.

Então, quando chega esses dias de natal, gosto de celebrar. Um pouco como as culturas antigas, um pouco como as da minha gente ancestral, mas, nascida e criada na herança cristã, também me apetece compartilhar com meu deusinho o dia do seu nascimento. Porque Jesus, como tantas outras divindades de tantas outras religiões, nasce no dezembro, perto do solstício, essa noite curta que promete vida, e nada mais. Tão simples, tão densa. E, nesse 2012, ainda mergulhada nas interpretações das lendas maias, de fim de um longo tempo de escuridão. Porque é disso que falam os maias. Fim de uma era, começo de belezas... Talvez, como dizem os andinos, o começo de um novo pachakuti, uma virada de pernas para o ar de tudo que há. Outra lógica, outra forma de viver no mundo. Quem nos impede de crer? E de lutar por isso?

Assim, este ano, nessas semanas que antecedem o natal, o fim da era maia, o novo pachakuti, vou adentrar pelas noites, farejando a vida. Que ela venha, pelas mãos dos velhos amigos, e na caminhada dos novos, que chegam agora e já se comprometem com tanta força. Espero-te meu deusinho, assim como espero todas as divinas criaturas capazes de brotar fogueiras em mim e em todos os que amo! Porque acredito que não há escolhidos, eleitos, nem deuses que são maiores que outros. Toda a crença do homem, inventada para sustentar seus terrores, remete a uma única e abençoada certeza: de que somos uma raça frágil, que necessitamos uns dos outros, e que estamos procurando, juntos, a terra sem males.

Então, desde o 21 de dezembro até o natal, que se dance pelas ruas, como dizia Nietzsche, e que seja tudo pelo bem das gentes. Todas as gentes, com todos os deuses e deusas... E que brote o amor, esse sentimento revolucionário, e que se mude a vida...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A Força

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite - Clarice Lispector. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Nação Poesia


Para além da (ótima) poesia, um reencontro com o que há de melhor no ser humano. Eis o que apreendemos ao ler "Nação Poesia", de Luiz C. Amorim.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Natal do Menino


Véspera de Natal. O menino ansioso. Sonha o presente. Olha pela janela. Céu sem estrela. O calor do verão. O silêncio da noite. Papai Noel voa? Pensa que sim. E vasculha o céu. Procura. De que lado ele vem? Não sabe do Sul. Não sabe do Norte. Sabe esperar. E aguardar cansa. O menino esfrega os olhos com as mãos. Difícil ficar acordado. A cabeça balança. Ele se esforça. Em vão. É vencido pelo sono. E o menino sonha... Segue num trenó vermelho. Grande, muito grande. Seis ou oito renas – não sabe contar. Há também um velhinho. Barbas brancas, muito brancas. Papai Noel! Vontade de gritar. O trenó segue rápido. O saco cheio de presentes. Vai dar tempo de entregar tudo? O menino olha a lista. Letras, muitas letras. Seu nome está ali? Ele não sabe ler. O trenó para. Papai Noel entra numa casa. Não demora a regressar. A viagem prossegue. Vontade de perguntar tanta coisa! Papai Noel responde? O menino fica com medo. Não quer atrapalhar. Outra casa... Mais outra... E o saco vai ficando vazio. Quase fim de noite. Resta apenas um presente. Será o meu? – o menino pergunta. Esperou o ano todo. O velhinho desce do trenó. E demora a voltar. Na verdade, não volta. O menino preocupado. O que aconteceu? As renas se assustam. O desequilíbrio. O menino cai. O vazio... A janela bate com o vento. O menino se acorda. Cadê o presente? Olha em volta. Procura. Casa pobre, muito pobre. Pequena. Quase sem tinta. Uma cama. Cinco pessoas dormem. Papai Noel existe. Não foi assim que ele viu na TV? O coraçãozinho do menino bate forte, muito forte – quase sai do peito. Volta à janela. Uma luz no céu. Então, não é sonho! É o trenó que brilha. O menino sorri. Quer chamar a mãe. Quer chamar os irmãozinhos. Todos dormem. Ele olha de novo. Céu nublado. Escuro. Breu. E o menino fecha a janela. Afasta o bracinho do irmão. Deita-se na cama. Fecha os olhos. Dorme. E não sonha mais.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Divulgação

O romance "Desenho a Giz" ganhou destaque na Agenda Cultural de São José.

Para conhecer o trabalho do pessoal da Agenda, segue o link:

http://www.ctpmsj.sc.gov.br/

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Desenho a Giz - Lançamento


     Após “Gurita”, seu romance de estreia e que lhe valeu o prêmio Revelação Literária 2011, concedido pela Academia Catarinense de Letras, Marcos Meira lança “Desenho a Giz”. O romance narra a história de Orlando, que, após vinte um anos, retorna a Barreiros, distrito de São José, para resolver uma questão judicial com uma construtora. Desde que chega à sua terra natal, Orlando vai examinando as mudanças que ocorreram no bairro e com Heloísa, sua amiga de infância e que sempre nutriu um amor (quiçá platônico) por ele. Orlando, apesar das vicissitudes da vida, consegue modificar o seu destino; já Heloísa permanece presa a um trauma de infância, que a impede de ser feliz. Alternando passado e presente, o autor, que em novembro de 2012 foi eleito para a Academia São José de Letras (Asajol), questiona o que leva as pessoas a serem o que são; que aspectos determinam a personalidade de cada uma.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Uma partilha - A Academia - ASAJOL

É com alegria que divulgo o e-mail que recebi do Sr. Artêmio Zanon, presidente da Academia São José de Letras - Asajol:

Prezado Escritor
Marcos Antônio Meira.
Saudações.

Se já não tiver conhecimento, é com muita honra que lhe comunico que o ilustre Escritor
teve seu nome sufragado para vir a integrar o rol dos Imorais da Academia São José de Letras.
Como sabe, a eleição ocorreu no último sábado (dia 10), e como tive que viajar logo após a votaçao,
e onde me encontrrar não havia facilidade de comunicação, então, nesta feita e por este meio
de comunicação, queira aceitar, em nome da ASAJOL, meus cucmprimentos.
A partir desta data coloco-me ao seu inteiro dispor para aviarmos a tramitação de sua posse.
Atenciosamente.

Acadêmico Artêmio Zanon
Presidente da ASAJOL


E, assim, o escrever vira responsabilidade.

Salve!