É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática - P. Freire.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Erros
Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente - Clarice Lispector.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
TEMPOS CONTURBADOS 5
Afinal!
Autoria: Urda Alice Klueger
(Parte do livro "Meu cachorro Atahualpa, publicado em 2010)
Era 30 de maio quando minha mãe faleceu, e eu me sentia tão cansada, tão estressada, que não sabia como é que a vida iria continuar. Havia muitos amigos e muitos primos me dando arrimo, mas não sei como teria sido sem o meu cachorrinho. Lembro-me como, no dia da missa de sétimo dia da minha mãe, minha querida Neide apareceu e ficou decididamente ao meu lado, me apoiando, e depois foi me fazer uma visita – meu apartamento estava bastante desarrumado, eu diria que quase caótico, mas aquilo já não me importava muito – eu estava em estado de despedida dele.
Autoria: Urda Alice Klueger
(Parte do livro "Meu cachorro Atahualpa, publicado em 2010)
Era 30 de maio quando minha mãe faleceu, e eu me sentia tão cansada, tão estressada, que não sabia como é que a vida iria continuar. Havia muitos amigos e muitos primos me dando arrimo, mas não sei como teria sido sem o meu cachorrinho. Lembro-me como, no dia da missa de sétimo dia da minha mãe, minha querida Neide apareceu e ficou decididamente ao meu lado, me apoiando, e depois foi me fazer uma visita – meu apartamento estava bastante desarrumado, eu diria que quase caótico, mas aquilo já não me importava muito – eu estava em estado de despedida dele.
Junho passou-se inteiro sem que os negócios se decidissem. Andava muito ocupada resolvendo os problemas de papéis, contas, etc., que acontecem depois do falecimento de uma pessoa, mas o tempo todo muito ansiosa pela minha casinha que ainda não tinha sido vendida, torcendo para que ninguém a comprasse antes de mim, e tendo longas conversas com Atahualpa de como seria nossa vida nela, continuando a prometer-lhe uma casinha com seu próprio jardim e, solidário, meu cachorrinho parecia entender tudo, e me acarinhava e me lambia quando eu chorava de exaustão, e depois brincava comigo pela casa toda, correndo atrás de uma bola ou do pano velho que eu arrastava, e eu sempre tirava tempo para que fizéssemos longas caminhadas pelas ruas que imaginava livres de cobras venenosas, e dormíamos e acordávamos juntos, e o mês era frio, chuvoso e triste, e teria sido muito mais difícil sem Atahualpa.
Em julho, Atahualpa e eu tiramos uma semana de férias e fomos passá-la no Pouso e Poesia (WWW.sambaqui.com.br/pousodapoesia), pousada do meu amigo Raul Longo e da Ida, lá na praia do Sambaqui, em Florianópolis. Era a terceira vez que Atahualpa via o mar (já o vira na Praia de Estaleiro e em Porto Belo), só que dessa vez ele tinha uma companhia canina: a Canela, cachorrona extremamente livre do meu amigo Raul.
Até chegar lá, eu não sabia que estava tão cansada – desmoronei ao pisar no Pouso e Poesia. Acabou sendo uma semana idílica, onde Atahualpa, Canela e eu fazíamos longos passeios à beira mar pelas manhãs, dormíamos nas tardes e eu fiz todas as refeições no bar do seu Antônio, comendo sempre tainha frita com pirão branco ou dúzias de ostras que viviam num engradado dentro do mar, sob o restaurante, e que o seu Antônio recolhia com a ajuda de uma corda, a cada vez em que alguém pedia ostras frescas.
Fazia tanto tempo que não escrevia algo que não fosse triste e angustiante que havia perdido o jeito, mas conforme os dias iam passando, criei umas poucas crônicas que o Raul achou ótimas, mas que eu sabia que não estavam nada boas. Como sempre, Atahualpa e eu dormíamos um perto do outro, no mesmo apartamento, e depois do sono das tardes, íamos de novo passear na praia. Há muitas coisas para contar daqueles dias e daqueles passeios com Canela – renderão, com certeza, muitas crônicas futuras. O que não saía da minha cabeça, no entanto, era a promessa que continuava fazendo ao meu cachorro, de que iríamos ter uma casinha com jardinzinho para ele, e torcia com todas as forças para que os negócios imobiliários, em Blumenau, se concretizassem enquanto estávamos fora.
Mais rápido do que parecia, a semana se passou e voltamos – para descobrir que continuávamos na mesma situação. Dias depois, no entanto, os negócios aconteceram, e houve um domingo à tarde em que juntei todos os grandes lençóis e colchas que tinha, e tirei todas as roupas dos armários fazendo com elas grandes trouxas, pois íamos nos mudar. Para um cachorrinho que vivera naquele apartamento desde que se lembrava, e o sabia de certa forma, aquelas alterações deveriam estar parecendo o caos, e Atahualpa farejava as grandes trouxas angustiadamente, me olhando de esguelha como quem pergunta:
- Nossa vida virou de cabeça para baixo de novo? O que está acontecendo?
O que estava acontecendo ele não entendera bem quando eu explicara: na noite do dia em que eu assinara a documentação da venda do apartamento e da compra da casa, enquanto voltávamos para casa na escuridão fria e chuvosa de julho, eu contara tudo direitinho a ele:
- Atahualpa, nunca mais, nunca mais vamos ter que viver naquele lugar horrendo! Nunca mais vamos ver aquelas casas que ainda não despencaram do morro, nem ter medo de passar na rua em dia de chuva, temendo que elas venham a cair sobre a gente! Nunca mais vamos ter medo de que o nosso prédio venha a ser abalado por aquela casa que pode vir a cair a qualquer momento! Vamos para o paraíso, e vais ter teu jardinzinho e a tua varanda, e vamos ser felizes – e eu chorava muito e muito de tanta dor incontida, enquanto lhe explicava tais coisas, pois mesmo para mim parecia estar vivendo uma irrealidade, que coisas tão boas não poderiam estar acontecendo realmente, de tão boas que eram. Era um choro de grande alívio, de mágoas acumuladas, de angústias somadas e de felicidade ao mesmo tempo. Atahualpa se aconchegou a mim e apertou minha perna com o seu queixo, tentando me consolar, mas não deve ter entendido tudo, pois estava bastante inseguro e surpreso com aquelas grandes trouxas amontoadas na sala daquele apartamento que, de repente, ficava de cabeça para baixo.
Na manhã seguinte, tão logo os homens da mudança chegaram, levando poucas coisas numa mala e numa sacola, eu e ele nos mudamos, de novo, para aquele depósito de livros onde passáramos o verão, esperando uns poucos dias até que nossa mudança fosse ajeitada.
E a 31 de julho de 2009, enfim, pegamos nossas poucas bagagens e nos mudamos definitivamente para nossa casinha nova. Era tempo de sermos felizes!
"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles." (Autor desconhecido)
"Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus cachorros parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço de seu coração. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles." (Autor desconhecido)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
O Valor da Literatura
Quando lancei Gurita, romance ambientado em Barreiros, São José/SC, algumas pessoas me perguntaram se era lucrativo escrever. Eu já havia publicado outro livro, na área da educação, e chegara a ganhar alguns trocados, a título de direitos autorais. Mas daí a dizer que escrever é um negócio lucrativo havia uma grande distância. Para não deixar de responder aos meus interlocutores, falava a eles que não dependo da literatura para viver; que escrevo de maneira amadora e, como tal, tenho uma relação de amor e ódio com as palavras.
Para além da vaidade pessoal, publicar Gurita, assim como Desenho a Giz, meu mais recente trabalho, significava divulgar e registrar um pouco da cultura de São José da Terra Firme, ricamente influenciada pelos açorianos que aqui desembarcaram, em 1750. Daí o meu cuidado em mostrar nos diálogos das personagens o falar característico da gente daqui; em detalhar a leveza da arte de tarrafear; em citar os mais variados artigos de pesca (puçás, jererés, feiticeiras etc.); em lembrar os engenhos de farinha e os carros de boi; em destacar, na pele de dona Idalina, o poder das rezas e da medicina não alopática das pessoas simples da região. E, embora não seja bairrista, eu não enxergava outro ambiente para o romance que não fosse o distrito de Barreiros.
Qualquer leitor mediano seguramente está mais familiarizado com os aspectos históricos do Rio de Janeiro evocados por Machado de Assis do que, por exemplo, com a formação social e econômica da Ilha de Santa Catarina. Pessoas que nasceram e se criaram em Barreiros – aliás, após a leitura de Gurita, vieram me dizer que cresceram de costas para o mar – não sabiam a localização dessa imponente pedra. Cantando, então, a minha aldeia, como queria Tolstoi, minhas personagens, que nunca ouviram falar de Rua do Ouvidor ou de Mata-cavalos, caminharam pelas ruas da minha infância: a Leoberto Leal, a Santo Antonio, a José Victor da Rosa, a Antônio Schroeder...
Deixando de lado esses aspectos puramente sentimentais, acredito que Gurita, além de resgatar parte da História de São José, também deu voz àqueles que julgam não tê-la. E, assim, deparamo-nos com o valor de qualquer arte literária: fazer o leitor tomar consciência de si mesmo, despertando-o para o mundo que o cerca e, num movimento estritamente dialético, transformando-o.
A partir, portanto, de um microcosmo, demonstrei o quão difícil é vivermos em sociedade. Pois como escrevi no prólogo de Gurita, a existência humana continua sendo idealizada; paira no inconsciente coletivo que as verdadeiras e mais belas biografias só podem ser escritas acerca daqueles que descendem de uma estirpe nobre. Consequentemente, as histórias construídas no dia a dia por personagens desconhecidas acabam sendo ridicularizadas e desprezadas. Soa estranho que tais anônimos ainda não tenham percebido que carregam consigo uma história de vida e que esta é parte integrante da humanidade. É, contudo, um comportamento perfeitamente compreensível. Lembrando Goethe, poeta alemão, qual é a coisa mais difícil que existe? A que parece mais fácil aos seus olhos ver: aquilo que está diante de seu nariz.
Artigo publicado no caderno Continente, do Jornal Diário Catarinense, de 18/01/2013
sábado, 22 de dezembro de 2012
Hoje encontrei o Natal
(Escrito em 2008, logo após a Tragédia das Águas que
assolou Santa Catarina)
Hoje
encontrei o Natal. Meu cachorro me acordou antes da hora costumeira, seis e
pouco no relógio, e saí com ele para dar a volta matinal. No portão aqui do
nosso abrigo de flagelados passava um homem empurrando uma bicicleta e levando
uma cachorrinha presa por uma corrente.
No
primeiro momento, só vi a cachorrinha, amizade certa para o meu cachorro, e os
dois pularam um no outro e se lamberam, e o dia começava prometendo ser bom. O
homem perguntou:
- A
senhora sabe qual é o caminho que se deve tomar para se chegar à BR 470?
Eu disse
que ele estava certo, que era seguir sempre em frente aquela rua, que ele
acabaria chegando à BR 470.
- E lá
vai dar em Guaramirim, não é mesmo?
Não, não
era mesmo. Para Guaramirim havia que se tomar a rodovia Guilherme Jensen, e lhe
expliquei como fazer, onde entrar.
- Mas não
dá para ir pela BR 470?
Para
Guaramirim não dava. Prestei mais atenção no homem, um dos tantos andarilhos
que circulam por nossas estradas nestes tempos estragados pelo neoliberalismo,
apesar de agora já estar mais que comprovado, lá nos centros de poder, que o
neoliberalismo não passava de uma falácia das piores, simples estrangulador de
pobres para encher cofres já abarrotados de ricos.
O homem
da manhã estava incrivelmente sujo e coberto de feridas, com dois abcessos
abertos nas bochechas. Havia muita crosta e muito pus em muitos lugares, e
cobrindo tudo, a grande crosta de pó que é vestida, atualmente, quando a gente
se locomove pelas ruas ou estradas da minha região, depois que secaram os mares
de lama oriundos do derretimentos dos morros. Um executivo que saísse a andar
por aí de bicicleta acabaria com a mesma crosta de pó – só não teria as feridas
e os abcessos. Fiquei pensando: seria uma doença, ou seria falta de
determinadas vitaminas? Talvez fossem as duas coisas; talvez fossem algumas
doenças; quem garante que os abcessos nas bochechas não proviessem de terríveis
dores de dentes que aquele homem sorridente com sua cachorrinha tivesse tido só
e desamparado, nos escondidos de passar a noite que ele devia conhecer? Aí ele
me disse:
- Mais
para frente há acostamento? É que meu braço está quebrado em dois lugares, e
está difícil tocar a bicicleta. Com acostamento fica mais fácil...
Só então
reparei no gesso do braço esquerdo, tão coberto de pó e sujeira que a gente nem
prestava atenção.
Sim,
haveria acostamento mais para a frente, e fomos conversando, e os cachorros
foram correndo, e eu lhe mostrava as muitas feridas nos morros, de onde a minha
cidade sangrara como nunca havia sangrado antes, e as casas que já não
existiam, e outras casas que haviam ficado enterradas na lama até a altura da
metade das janelas...
- Quantos
quilômetros o senhor faz por dia, com essa bicicleta?
- Dá para
fazer uns 80...
- E a
cachorrinha anda isso tudo?
- Não,
ela vai aqui no engradado...
Havia um
engradado de plástico amarrado no bagageiro da bicicleta, onde o homem
carregava seus bens. Não olhei muito, só reparei que havia uma garrafa de dois
litros quase cheia de água.
A
cachorrinha tinha se animado demais, andava fazendo umas incursões para o meio
da rua, e ele temeu por ela. Puxou-a pela correntinha, colocou-a no engradado,
onde ela ficou, toda faceira e feliz, sem nem se importar com a interrupção das
brincadeiras que fazia com meu cachorro. Ela amava profundamente aquele homem,
morreria por ele. E ele me contou:
- Era uma
filhotinha jogada fora. Encontrei-a perdida numa rua de Navegantes. Está com
quatro meses.
Conversamos
rua afora, e fui descobrindo que aquele homem entendia de todas as estradas e
cidades do sul do Brasil.
- Em
Barra Velha – contou-me – há uma mulher que tem doze cachorros. Todos grandes.
Ela os acha na rua e leva para casa. É uma mulher de coração muito bom. Gasta
mil reais por mês, só de ração.
Eu me
admirava.
- Lá em
Itajaí a enchente foi terrível. Eu vi como as casas de madeira ficaram
imprestáveis. Mas a senhora tem certeza de que para ir a Guaramirim não tem que
pegar a BR 470?
Eu tinha.
Perguntei-lhe o nome. Era José Aparecido e já não lembro o sobrenome, que ele
tinha um singelo orgulho de ostentar, como quem tem um último bem que não pode
ser roubado por nenhum neoliberal.
- Em
Guaramirim eu tenho amigos! – ele me contou, como um segredo de enorme valor, e
me fez lembrar de Saint-Exupéry. Eu estava mesmo bem curiosa para saber o que
ele ia fazer numa cidade pequenininha. – Já trabalhei seis meses em Guaramirim
catando papel, tenho amigos lá. Os meus amigos de lá fazem festa de Natal! No
ano passado teve até chope!
Pronto,
estava explicado! Fiquei com um bocado de vergonha desta dor que há dentro de
mim, que está me impedindo até de ouvir música de Natal, quando ela aparece sem
querer.
Ele
contou-me outras coisas, sobre os três carrinhos de catador que já tivera;
sobre as diferenças de preços de latinhas vazias que existia em Blumenau e em
Curitiba – agora só tinha a bicicleta e a cachorrinha, que ia que ia montada na
garrafa de água do engradado.
- Mas a
senhora tem certeza de que para Guaramirim não tem que passar pela BR 470?
Garanti-lhe
de novo, dei mais indicações do caminho. Perguntei:
- Como é
a festa de Natal em Guaramirim? Tem galinha assada?
- Tem de
tudo, dona. Tem carne, tem maionésia, tem chope! Tem até as mulheres que
trabalham lá! – ele não disse da fraternidade que deveria ter, do consolo dos
braços amigos, que sabe do reencontro com alguma antiga namorada, mas tudo
estava implícito na intensidade da emoção dele.
Eu
deveria voltar, já fora longe demais pela empoeirada Rua das Missões, onde
íamos caminhando, e via meu cachorro de língua de fora. Disse-lhe:
- Tenho
que ir. Meu cachorro já está com sede.
Então, a
galanteza maior de todas que ele poderia ter feito:
- Mas tem
água aqui na garrafa, dona. Pode dar para o cachorro.
Sei
bastante da vida dos andarilhos deste mundo para saber que não conseguem água
com facilidade, que muitas vezes são apedrejados quando se aproximam de alguma
casa para pedir água, pois as famílias pensam que eles vêm para lhes roubar as
crianças. Aquele homem de abcessos nas bochechas e esmagado pelo poder do
Capital dividia sua última riqueza sem nem pensar. Então me senti pequena e
mesquinha diante da grandeza dele, e fiquei com vontade de chorar. Antes que o
fizesse, despedi-me, e ele me apertou a mão sem nenhum constrangimento pelas
feridas supuradas, com a galhardia de um rei.
- Boa
viagem para o senhor! Não esqueça de virar à direita onde lhe ensinei!
- Feliz
Natal, dona! É uma pena que a conversa já está acabando tão cedo! É muito bom
viajar quando a gente pode ir conversando!
Em
Guaramirim, vai haver um grande Natal! É uma notícia muito boa. Será que aquele
homem não era um dos reis magos e não estava encardido assim por ter
atravessado os desertos bíblicos?
Feliz
Natal, José Aparecido! Aqui, choro de emoção por ter encontrado assim o Natal!
Blumenau,
14 de Dezembro de 2008.
Urda
Alice Klueger
Escritora.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
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